Eu Sou o Céu, Não as Nuvens
- Mentora Joana Silva

- 29 de mai.
- 3 min de leitura
Insights de 21/05
Estou no meu maravilhoso balcão a olhar a vista, a olhar o mar, a sentir a brisa gentil do vento e o aroma das flores, o chilrear dos pássaros — vou e venho. ON E OFF — como um botão que acende e apaga: conexão, desconexão, conexão, desconexão.
Consigo observar o meu julgamento, medo e insatisfação com a parte da desconexão, como uma criança que esperneia de revolta e a agonia, como uma mentalidade de vítima que me diz que não estou em controlo. De que alguma coisa maior do que eu me controla.
A vítima em mim existe, ela é real; e depois temos o outro lado, o agressor — ele detesta a vítima e quer dar cabo dela.
Eu observo estes dois movimentos que balançam de um lado para o outro sem me identificar ou julgar. Há uma razão para eles existirem.
Nas camadas mais profundas, estas partes nasceram de um amor incondicional interno que se sacrificaram para sobreviver na selva da Terra.
Condenar, julgar, apedrejar — nada disto adianta. Só perpetua. Mas também não posso forçar a paragem; forçar só criará resistência e, ao criar resistência, perpetua-se.
Então, a única forma de solucionar é permitir. Mas existem nuances aqui: não é um permitir por desistência, fracasso ou tolerância. É um permitir por amor incondicional e compaixão por essas partes.
Permitir a onda arrebentar não é concordar com ela — é vê-la, é ter compaixão pela sua dor, é amá-la, mas sem me identificar com ela. Isso é alquimia, mestria, iluminação, consciência suprema.
Aceitar por compaixão é muito diferente de aceitar por obrigação, tolerância ou desistência.
Eu não sou a onda que se manifesta, eu sou quem a vê, observa e decide. Integrar as partes minhas que estão desalinhadas requer que eu me alinhe ao 'Eu Sou' — Eu sou o céu e não as nuvens. Eu observo para que possa permitir a sua existência, soltando o julgamento e a resistência.
Permissão. Permissão é rendição absoluta. Sem forçar, apressar, negar ou julgar.
Consegues fazer isto agora?
Não — então aceita o teu não, faz as pazes com ele, sem obrigá-lo a mudar ou sem desistir.
Sim — então permite que esse sim se expanda.
Estás em baixo?
Permite-te estar, sem querer sair, sem querer apressar, sem julgar. Abre espaço para o teu sentir, para o teu acolher. Torna-te espaço. Torna-te o recipiente que contém e a essência que permite o fluxo fluir.
Sentes-te em batalha?
É porque um lado teu está a forçar o outro lado teu a mudar, a render-se, a parar, a engolir ou está a julgá-lo.
Esses lados jamais se renderão por força, obrigação ou desistência — eles vão pender sempre para a vítima ou para o agressor. Esse é o espetro da dualidade em que vivemos e de que queremos sair, mas só quando pararmos de nos agredir, parando de forçar a rendição ou julgando o nosso processo, é que conseguiremos encontrar o ponto de equilíbrio: a neutralidade, a rendição, a aceitação absoluta, a presença.
Não forces a paz.
Não forces a alegria.
Não forces o amor.
Não forces a cura.
Não forces o presente.
Não forces o ser.
Observa. Observa.
Observa sem te identificares com pensamentos, histórias, narrativas, sensações, sentimentos ou emoções.
Honra. Honra.
Honra todo o teu ser.
Mesmo que não te apercebas, és tu que dás vida com a tua energia, investimento e credibilidade a tudo à tua volta.
Com todo o meu amor,
Joana Silva



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